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Restoque vai fechar fábrica da Dudalina em Luiz Alves

A Restoque vai romper um dos últimos elos da Dudalina com Santa Catarina. Funcionários da empresa em Luiz Alves, onde funciona uma fábrica de costura de camisas da marca, foram avisados na segunda-feira que as atividades na unidade serão encerradas no final desta semana. Cerca de 290 pessoas perderão seus empregos.

Com isso, chegam a 840 as demissões promovidas pelo grupo em Santa Catarina nos últimos dois anos.

A notícia se espalhou rapidamente no pequeno município vizinho a Blumenau de pouco mais de 12 mil habitantes, onde a camisaria foi fundada em 1957. Uma funcionária relatou que o clima entre os trabalhadores é de desolação e que muitos foram pegos de surpresa. Para quem vem acompanhando os rumos da Restoque, no entanto, o fechamento de mais uma unidade não causa espanto.

Em julho do ano passado, a gigante varejista, que comprou a Dudalina em 2014, encerrou as operações das fábricas da marca em Benedito Novo e Presidente Getúlio, que juntas empregavam em torno de 430 pessoas. No início deste ano, esvaziou a unidade às margens da BR-470, em Blumenau, onde funcionavam setores administrativos e de distribuição. O prédio foi colocado à venda por R$ 28,5 milhões.

Antes disso, em dezembro passado, a Restoque já havia extinguido a Dudalina como empresa, restando apenas a marca. Na época, a companhia disse que a medida “racionaliza operações, otimiza a administração e minimiza despesas”.

A varejista, que também é dona das marcas Le Lis Blanc, John John, Bo.Bô e Rosa Chá, passa por um processo de reestruturação operacional, que inclui fechamento de fábricas e lojas e busca por maior rentabilidade após resultados financeiros ruins nos últimos anos.

Em SC restam apenas 200 empregos do que ainda sobrou da Dudalina, concentrados numa unidade do distrito industrial de Blumenau.

Porém, até mesmo no meio sindical é dado como certo que essa unidade também fechará.

A Restoque não fala abertamente sobre o assunto, mas os últimos movimentos indicam que a estratégia é concentrar as operações no Centro-Oeste do país. Em 2016, a empresa anunciou a construção de um centro de distribuição e, num segundo momento, uma unidade fabril em Aparecida de Goiânia (GO). No estado goiano, a companhia encontrou melhores condições de negócios: incentivos fiscais (principalmente de ICMS) bem mais atrativos, mão de obra mais em conta e uma posição geográfica que facilita o escoamento da produção pelo Brasil.

O prefeito de Luiz Alves, Marcos Pedro Veber (PSDB), já tinha ouvido rumores, mas também diz ter sido surpreendido com o fechamento da fábrica. Ele foi oficialmente comunicado da decisão ainda na segunda-feira por diretores da Restoque, que não deram muitos detalhes sobre os motivos da medida.

O prefeito disse que para a cidade é um abalo muito grande. Os funcionários e as pessoas da cidade estão muito tristes – lamenta o prefeito, lembrando que o crescimento e a força da marca Dudalina ajudaram a colocar Luiz Alves no mapa internacional.

Além do rastro de desempregados, o fim das atividades terá impacto direto na economia local. Há uma estimativa de que pelo menos R$ 500 mil, referentes aos salários dos ex-funcionários, deixe de circular na cidade e na região num primeiro momento.

De acordo com o prefeito, há efeitos também na arrecadação de ICMS que retorna ao município, numa conta próxima a R$ 300 mil por ano. Em uma prefeitura pequena, com orçamento enxuto, é uma quantia que fará muita falta.

A missão da prefeitura de Luiz Alves a partir de agora será buscar uma nova empresa para o espaço. Parte das instalações ainda pertence a alguns herdeiros da família Hess de Souza, fundadora da Dudalina. Segundo Veber, eles se comprometeram a ajudar na busca por um novo investidor, de preferência do mesmo ramo, para aproveitar a mão de obra especializada deixada de lado pela Restoque.

Com o fechamento da fábrica em Luiz Alves, o último resquício da Dudalina na região é uma unidade de costura mantida no Distrito Industrial do bairro Itoupavazinha, em Blumenau. Lá, conforme informações do sindicato dos trabalhadores das indústrias de vestuário da cidade, ainda trabalham pouco mais de 200 pessoas. Resta saber até quando. Entre os funcionários, a impressão é de que más notícias chegarão a qualquer momento.

 

*Da Redação com informações do Diário Catarinense

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