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Os meio-campistas de Tite

Tite não fala em volantes e armadores. Até usou o termo “ritmista” para citar uma função que ainda não tem um nome para fechar a lista (uma das cinco dúvidas dele para a Rússia).

O treinador do Brasil prefere meio-campistas. Para não dizer mesmo que gostaria de ter mais homens de área a área. Box to box. Todocampistas. Os que marcam como volantes, armam como meias e, se possível, atacam como avantes.

Mas está feliz e confiante com o que já tem. Volantes como Casemiro. Titular absoluto de Zidane. Ponto de equilíbrio da retomada europeia do Real Madrid a partir de 2016. Um que cresceu demais na Espanha. Jogador que sabe ler a partida e conversar bastante com o treinador. Um dos líderes táticos da equipe. Capaz de mudar o sistema durante o jogo. Sugerir mudanças quase sempre acatadas pelo comando.

Fernandinho é outro nome certíssimo na Rússia. A maior evolução entre os que estavam em 2014. Vi e revi todos os jogos completos do Brasil em Copas desde as semifinais de 1958 (crédito devido ao colega Gustavo Roman). Não vi partida individual pior desde então que a dele no 7 a 1. O que tem feito desde então é ainda maior. Além do ótimo volante que virou depois de começar como meia no PSTC, já foi lateral e volante com Guardiola. E deve ganhar o lugar de Renato Augusto entre os titulares para começo de conversa. Por dar mais dinâmica e força no meio, e ainda com qualidade para passar e finalizar de longe.

(Mas não é o único jeito que Tite pretende armar o Brasil na Copa. Em postagem específica falamos da alternativa com Willian aberto e Coutinho por dentro).

Renato Augusto é outra referência técnica e tática essencial. Fundamental na conquista do ouro olímpico também pelo que administrou fora de campo o grupo, RA cresceu na carreira quando Tite o recuou por dentro para ser o craque do BR-15. Mas perdeu ritmo na China. Por melhor profissional que seja, e é mesmo, o nível de competitividade, técnico e fisco no país pesa. Não tem sido o mesmo nas últimas partidas do Brasil.

Paulinho foi a melhor redescoberta de Tite na Seleção. Maior volante artilheiro da Amarelinha, estava esquecido na China quando o treinador assumiu o Brasil. Matheus Bacchi, auxiliar do treinador, foi vê-lo por lá e voltou impressionado. Ajudou a convencer o pai. E foram muito felizes. Ainda mais quando Paulinho foi para o Barcelona para aumentar a competitividade. Se nem sempre consegue ser titular na Espanha, ao menos aprendeu ainda mais e pode chegar menos desgastado para a Copa onde será essencial ao Brasil. Como foi em 2013 como segundo melhor jogador da Copa das Confederações. Melhor do que o Paulinho que agora pode se redimir da Copa-14 abaixo da excelente média dele.

Nesse 4-2-3-1 que varia com naturalidade para um 4–1-4-1, Tite ainda tem algumas questões. Giuliano é bruxo de Tite desde o Inter, em 2009. Foi bem nas vezes em que foi chamado pelo treinador para jogar mais recuado por dentro, ou um pouco mais à frente, ou mesmo aberto, flutuando como meia articulador a partir da direita.

O problema é que na Turquia, no Fenerbahçe, tem jogado mais como atacante do que armador ou mesmo

meia-atacante. Tite não quer isso. Também por isso Giuliano pode perder a função que seria de Hernanes se ele tivesse continuado jogando o que brilhou no segundo semestre de 2017 pelo São Paulo. Esquecido na China, não tem mais jogo. Uma pena. Até pela experiência de Copa que também tem. E é essencial sempre.

Por isso outro nome vai pra Rússia. Outro que começou como meia e se deu melhor como volante. Um que quase foi parar no Barcelona mas irá mesmo para o Manchester City, depois do Mundial. Fred. Chegou agora na Seleção, mas estará na Copa. Foi na Rússia que Fred conquistou Tite. O treinador e seus auxiliares saíram boquiabertos de um treinamento fechado em que ele arrebentou. Para a comissão, ele pode ser 5, 8 ou 10. Não infiltra na área adversária, mas dá passes muito preciosos, quase sempre verticais, daqueles que abrem as defesas. Pode substituir qualquer um em qualquer função no meio e já tem a cancha e milhagem que falta a Arthur. Um que seria titular absoluto na Copa de 2019. Talvez não na de 2018. E numa função em que Tite está bem servido. Só por isso Arthur pode não ir pra Copa. A redundância de ótimas opções. Eu ainda tentaria arrumar um lugar para Arthur nessa turma. Mas talvez faltem mais opções ofensivas.

É o grande dilema de Tite.

Lucas Lima poderia ser esse outro nome. Mas não tem merecido nem a titularidade no Palmeiras.

Jadson, não fosse a idade e a forma atual, seria um cara para estar na Copa. Até por tudo que também evoluiu com Tite, como meia que flutuava no Corinthians em 2015. Mas está longe daquele nível.

Como Diego no Flamengo. O cara diferente que é e não tem sido. Melhor do que Jadson e Lucas Limas. Mas não tem sido nem para aquela bola enfiada entre os zagueiros. Aquele criativo para atuar entre as linhas dos rivais. Para apoiar o jogo. Se já não tem sido no Rio, não será no Brasil.

Luan do Grêmio faz bem isso. Mas Luan eu analiso em outro post. Na disputa mais à frente por um lugar.

Até porque tem um nome que agrada muito a Tite, tem jogado muito bem em nova função, e sabe ser decisivo. Ele o conhece bem e teria poucas contraindicações (a não ser a bronca de muitos de ser mais um do bando de loucos heptacampeões do Brasil – Rodriguinho).

Por já ter jogado também com Tite mais atrás, por ser armador de ofício e estar se saindo bem como um neo atacante com Carille em 2018, as chances de Rodriguinho são ainda reais. Maiores que as de Lucas Lima (sem a intensidade necessária), Diego e que Anderson Talisca, que pareceu ter sentido o peso da camisa quando chamado.

Tite ainda procura um David Silva ou Isco que o Brasil hoje não tem. Ou o Thiago Alcantara que a CBF não soube chegar antes que a Espanha.

Dos que já foram chamados, Rafael Carioca saiu da órbita no Tigres mexicano. Walace, a mesma história no Hamburgo. Arão perdeu a titularidade no Flamengo. Henrique manteve o bom nível no Cruzeiro. Mas não na Seleção.

E Oscar é caso raro. Sumiu na China. Um dos maiores salários do mundo. Um dos melhores do Brasil em 2014. Titular absoluto de Felipão na função do camisa 10. E, quatro anos depois, nem a família dele cogita um lugar na Rússia. No último chamado para a Seleção, ele “apagou, nas palavras do próprio Tite.

Camilo e Scarpa foram chamados por Tite para o amistoso contra a Colômbia. O agora palmeirense não pode jogar. O agora colorado está na reserva no Inter.

Como Tite não chamará ninguém que ainda não foi lembrado, os convocados estão aqui.

Mas o nome que ainda falta não está definido nem na cabeça de Tite. Provável que só no dia da convocação final se saberá quem irá para a Rússia ao lado de Casemiro, Paulinho, Fernandinho, Renato Augusto e Fred.

 

 

 

 

Fonte: UOL Mauro Beting/COLABOROU DASSLER MARQUES

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