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Tentativa de fuga em presídio no Pará deixa 21 mortos

Pelo menos vinte e uma pessoas morreram durante uma tentativa de fuga em massa de presos no Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III (CRPP III), na Região Metropolitana de Belém, na tarde desta terça-feira. Uma das vítimas é um agente penitenciário. A unidade prisional foi invadida por criminosos que queriam auxiliar outros detentos em uma fuga. As mortes foram confirmadas pela secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), mas os nomes das vítimas ainda não foram divulgados. Outros quatro agentes penitenciários ficaram feridos na invasão. Por volta de 17h30m, não havia informações sobre a fuga de presos.

O presídio é uma das unidades do Complexo Penitenciário de Santa Izabel. Segundo a secretaria, a penitenciária sofreu uma tentativa de invasão, por volta das 13h, para auxiliar uma fuga em massa. A ação contou com apoio de um grupo externo fortemente armado. Uma equipe da Força Tática da Polícia Militar foi designada para o presídio. Até as 17h30m, a policia tinha apreendido dois fuzis, três pistolas e dois revólveres.

Segundo números extra-oficiais, as mortes já chegam a 28, incluindo detentos, invasores e um agente penitenciário. De acordo com o coordenador do núcleo de Política Penitenciária da OAB do Pará, Antonio Graim Neto, no momento, o motim está contido, em processo de contagem de mortos e feridos.

“As casas penais do estado são superlotadas e têm mais de 14 mil presos em todo o estado. O Centro de Recuperação Penitenciário é considerado o que recebe os detentos mais perigosos. Os presídios têm membros de facções que disputam poder e território na região metropolitana de Belém”, afirmou.

Áudios, vídeos e informações obtidas pela reportagem do EXTRA mostram que agentes foram feitos reféns durante a fuga dos presos para facilitar o acesso dos presidiários à área da fuga, onde bandidos os esperavam com explosivos. Os detentos estavam altamente armados durante a rebelião, com uso de fuzis e metralhadoras. O Centro de Recuperação é cercado por grandes matas, e há relatos de agentes penitenciários ainda não encontrados nessas regiões.

“De acordo com informações preliminares, os presos também tinham armas dentro do presídio. Na tentativa de resgate foram utilizados explosivos contra um dos muros do solário do Pavilhão C. Neste momento, ocorreu então intensa troca de tiros entre a equipe que efetuava a tentativa de resgate em apoio externo, parte dos custodiados e a equipe do Batalhão Penitenciário”, explicou a secretaria.

Segundo um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado em março, o CRPP III tem vaga para 432 detentos, mas abriga 659 presos — a lotação está 50% acima de sua capacidade. Ainda de acordo com o levantamento, a situação do presídio é “péssima”. O Complexo Penitenciário de Santa Izabel abriga cerca de 3.400 detentos.

RECONTAGEM DE PRESOS

A Companhia de Operações Especiais da PM já deslocou efetivo tático para reforçar a segurança do Complexo. A superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) ainda não confirma se houve fuga de presos na ação.

A secretaria informou que, desde o início da tarde, foram feitas buscas pelos criminosos que atuaram na tentativa de resgate. Também iniciaram as investigações para apurar os grupos que agiram neste episódio, assim como a entrada de armas na unidade, além de todas as circunstâncias das trocas de tiros durante a tentativa de resgate de presos.

O delegado Rodrigo Leão, diretor da Seccional de Santa Izabel do Pará, está com equipe policial e acompanha a situação, além de duas equipes da Divisão de Homicídios e uma da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

BELÉM ENFRENTA ONDA DE VIOLÊNCIA

Na segunda-feira, Belém registrou 12 assassinatos após a morte de dois policiais militares. As mortes ocorreram em sete bairros diferentes da capital do Pará. Todos tinham sinais de execução. Como os crimes ocorreram em sequência — na tarde e noite de segunda —, a polícia trabalha com a hipótese de haver uma conexão entre os casos.

Das 12 vítimas, nove teriam passagens pela polícia, por crimes como invasão de terras, roubo, estupro e tráfico de drogas. Segundo relatos de testemunhas, os criminosos chegaram em carros e dispararam contra as vítimas à queima-roupa.

 

Fonte: OGlobo

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