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No Congresso, Zuckerberg diz que Facebook está investigando milhares de apps

O diretor executivo do FacebookMark Zuckerberg, disse ao Congresso americano que a rede social está investigando “dezenas de milhares” de aplicativos, na esteira do escândalo de utilização de dados de usuários do Facebook pela empresa de marketing político Cambridge Analytica (CA).

O mercado financeiro apreciou a ida de Zuckerberg ao Senado: os papéis da empresa encerraram em alta de 4,5%. Quando o depoimento começou, as ações da rede social subiam menos de 2%.

Ao ser questionado se o Facebook havia alertado usuários após ser informado que a CA teve acesso, indevidamente, aos dados de 87 milhões de usuários, Zuckerberg negou a possibilidade.

Ele se justificou dizendo que, após saber do acesso às informações, o Facebook acreditou que a companhia de marketing político tinha apagado os dados — conforme o Facebook havia pedido e a CA disse ter feito. Apenas nesta segunda-feira, 9 de abril, a rede social começou a notificar, em um processo gradual, os usuários afetados.

A resposta foi a mesma dada quando o questionamento foi se ele havia relatado o fato à Comissão Federal de Comunicações americana (FTC na sigla em inglês).

— Não, senador, nós consideramos um caso encerrado — afirmou o executivo.

Ele também admitiu ter cometido erros.

— É impossível não cometer — acrescentou.

ZUCKERBERG NEGA VENDA DE DADOS

Quando perguntado pelo senador John Cornyn se era possível, após decidir apagar seu perfil, impedir que o Facebook use os dados que a pessoa compartilhou em algum momento, Zuckerberg confirmou que as informações são apagadas.

— Há um equívoco comum. Não vendemos dados para terceiros — disse Zuckerberg ao ser perguntado se os dados também são eliminados das bases dos anunciantes da rede social.

De acordo com o executivo, não há uma venda de dados. As empresas anunciantes comunicam ao Facebook qual é o público-alvo do anúncio, e a rede social cuida de exibir as peças publicitárias para esse grupo de interesse, segundo Zuckerberg.

O senador Ed Markey perguntou inúmeras vezes se Zuckerberg apoiaria a criação de uma lei que exigisse, como padrão, que se obtivesse a permissão clara das pessoas antes de compartilhar seus dados.

Tecnicamente, as pessoas já dão essa autorização quando concordam com os termos de serviços do Facebook, mas elas podem não estar tão cientes do que acontece quando assinam.

Zuckerberg concorda “em princípio” com o senador democrata, mas diz que “os detalhes importam” nesta questão.

‘MUDANÇA FILOSÓFICA’

O senador John Thune questionou por que se deveria acreditar no Facebook agora se a empresa tem um histórico de se desculpar inúmeras vezes em função de seguidos problemas.

— Estamos passando por uma mudança filosófica mais ampla em como abordamos nossa responsabilidade como uma companhia — respondeu Zuckerberg ao republicano, acrescentando que a mensagem-chave que gostaria de passar é que a empresa “aprendeu” e está “crescendo”: — Não podemos apenas construir ferramentas, precisamos policiar nosso ecossistema em uma maneira mais estrita.

MONOPÓLIO

Lindsey Graham, senador republicano da Carolina do Sul, pressionou Zuckerberg com relação à falta de redes sociais equivalentes. Ele insistiu em perguntar se há algum serviço igual ao do Facebook.

— Você não acha que tem um monopólio? — provocou Graham.

— Certamente, não parece para mim — respondeu o executivo, gerando risos em quem estava no Congresso.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) escreveu no Twitter que os senadores deveriam fazer com que Zuckerberg esclarecesse quais regulações a rede social adotará. Para a associação, os legisladores deveriam garantir que não sejam reformas apenas “de aparência”.

MAIOR INTERESSE DESDE A MICROSOFT

Já o senador Orrin Hatch observou que esta á a audiência com foco em tecnologia que ele viu atrair mais interesse desde as da Microsoft realizadas em 1998 — quando foram debatidas questões antitruste em um movimento crucial para a empresa e para a indústria tecnológica como um todo.

Hatch também questionou se as pessoas estão bem informadas ao optarem por abrir mão de dados em troca do uso de plataformas gratuitas e se elas têm conhecimento real do que elas estão aceitando ceder.

FRASE MAIS REPETIDA

Ao ser perguntado se sua rede social poderia deixar de ser gratuita, Zuckerberg garantiu:

— Sempre haverá uma versão gratuita do Facebook.

Ao ser perguntado se a companha coleta dados rastreando o usuário em diferentes dispositivos e se dados off-line são incluídos, o executivo disse não saber informar, o que surpreendeu o senador Roy Blunt, autor da pergunta.

A frase “não tenho essa informação aqui, mas minha equipe fará um follow-up com o senhor” provavelmente foi a mais repetida pelo cofundador do Facebook, dita a quase todos os senadores.

‘PLATAFORMA PARA TODAS AS IDEIAS’

Como republicano, o senador Ted Cruz apontou o fato de muitas páginas conservadoras terem sido retiradas do ar e pressionou Zuckerberg para saber se a maior parte dos empregados da rede social é democrata.

O executivo afirmou que não pergunta a orientação política dos funcionários e que “o Facebook se considera uma plataforma para todas as ideias”.

E ao ser perguntado pela senadora Maria Cantwell sobre o apoio da rede social à candidatura de Donald Trump à presidência americana em 2016, Zuckerberg alegou que foi “similar ao dos outros”.

DESRESPEITO A REGRA DA FTC

Para o senador Richard Blumenthal, o Facebook desrespeitou regras da FTC sobre notificar pessoas sobre como seus dados estão sendo usados. Mas Zuckerberg discorda da avaliação. O democrata, no entanto, quer que uma agência cobre uma prestação de contas da rede social.

— Seu modelo de negócio é monetizar a informação de usuários. A menos que haja regras específicos e exigências impostas por uma agência externa, eu não tenho garantia de que estes tipos de compromissos vagos vão produzir ação — criticou o senador.

O senador Dan Sullivan questiona se o Facebook é poderoso demais e diz que, historicamente, quando empresas acumulam tanto poder, elas ou são reguladas ou se dividem.

A esse respeito, Zuckerberg diz não acreditar que a regulação seja ruim e que é necessário haver uma conversa sobre a “regulação certa”.

PRIVACIDADE

Na tentativa de mostrar o valor da privacidade para as pessoas, o senador Dick Durbin provocou Zuckerberg, questionando se o executivo estaria confortável de compartilhar o nome do hotel em que se hospedou na noite passada.

Depois de hesitar, Zuckerberg respondeu que não, e Durbin devolveu:

— Esta é a questão. Você gosta de privacidade. Todos gostam de privacidade.

CORREÇÃO DEPOIS DO INTERVALO

Na volta do intervalo, Zuckerberg se corrigiu:

— Ao ser perguntado pelo senador Patrick Leahy por que não banimos a Cambridge Analytica depois de ficarmos sabendo o que havia ocorrido, eu disse que eles não eram anunciantes, não eram desenvolvedores de apps. Minha equipe me corrigiu: em 2015, eles eram anunciantes. foi um erro nosso (não termos banido a CA).

DISCURSO DE ÓDIO

Perguntado pelo senador Leahy por que o FB demora a retirar discursos de ódio, mesmo quando há denúncias — ele se referia mais especificamente ao caso de Myanmar —, Zuckerberg alegou dificuldades com línguas estrangeiras. E anunciou que estão contratado dezenas de profissionais que falam birmanês.

 

Fonte: OGlobo

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