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“Nunca vi nada igual, lembrou o 11 de Setembro”

Testemunhas relatam cenas de pânico durante incêndio em prédio residencial em Londres. Pessoas pulam e mulher joga bebê de janela. Moradores acusam prefeitura de omissão e criticam polícia e bombeiros.

Um incêndio, que se estendeu por toda a madrugada, destruiu um prédio residencial de 24 andares em Londres, nesta quarta-feira (14/06). Cenas de horror se passaram no conjunto habitacional popular Grenfell Tower com cerca de 120 apartamentos, localizado no oeste da capital britânica. Para uma associação de moradores do edifício, uma tragédia anunciada.

Enquanto autoridades confirmam ao menos 12 mortos e dezenas de feridos encaminhados a hospitais, moradores e testemunhas relataram cenas de pânico, acusaram a prefeitura de omissão e criticaram a atuação de bombeiros e policiais. As causas da tragédia não estão claras, mas moradores irritados disseram que advertiram repetidamente sobre os riscos de um potencial incêndio. Um residente garante que o alarme de incêndio não acionou.

A testemunha Samira Lamrani relatou que uma mulher deixou cair um bebê de uma janela do nono ou décimo andar. “Pessoas começaram a aparecer nas janelas, batendo freneticamente e gritando”, disse Lamrani, acrescentando que a mulher gesticulou para alguém agarrar o bebê. “Um homem correu e conseguiu apanhar o bebê”, contou.

Ruks Mamud, de 69 anos, escapou de seu apartamento no primeiro andar vestindo apenas seu pijama e roupão roxo. Ela e seu neto ficaram próximos do prédio e viram pessoas presas nos andares mais altos gritarem desesperadamente por ajuda. “Sentei-me lá assistindo minha casa queimando e observando as pessoas que não podiam descer chorarem por ajuda.”

Londrinos no local relataram ser incapazes de entrar em contato com amigos e familiares. Outras testemunhas disseram que podiam ver pessoas dentro do prédio usando lanternas e telefones celulares para tentar sinalizar e pedir por ajuda nos andares mais altos.

O desastre ocorreu dez dias após um atentado no centro de Londres, e alguns moradores disseram que, inicialmente, temiam que o fogo estivesse relacionado a um ataque terrorista. Autoridades, no entanto, descartam essa possibilidade.

“As chamas, nunca vi nada parecido. Lembrou-me o 11 de Setembro”, disse Muna Ali, de 45 anos. “O fogo começou nos andares superiores. Meu Deus! As chamas se espalharam tão rapidamente, tomou por completo dentro de meia hora.”

Críticas aos bombeiros

Miguel Alves, um dos dez portugueses que viviam no edifício, criticou a atuação dos bombeiros e da polícia. “Os bombeiros e a polícia não agiram rapidamente, não alertaram logo as pessoas para o incêndio”, disse o motorista de 49 anos, que vive em Londres desde 1998.

O português contou à agência Lusa que tinha saído com a mulher e, ao regressar, viu fumaça no hall de entrada do 4º andar, onde o elevador fez uma parada. De acordo com ele, não havia nada que indicasse que era algo tão grave.

“Na verdade tratava-se do início do incêndio. Nós não nos tínhamos percebido o que estava acontecendo. Avisei alguns vizinhos do meu andar [13º] e depois desci em segurança com eles para a rua, sem problemas”, explicou.

Alves contou que, quando chegou à rua, notou que o fogo já saía pelas janelas do 4º andar. “Quando desci, a situação ainda não era assim tão grave. Por isso, questiono por que as autoridades não deram o alarme imediatamente, uma vez que já estavam no local quando desci à rua”, contou.

Outras testemunhas descreveram a queda de um material branco, de tipo poliestireno, que despencava como neve enquanto o prédio queimava. Alguns dos sobreviventes temiam que a torre carbonizada pudesse entrar em colapso, mas um engenheiro estrutural garantiu          que o prédio não estava em perigo, segundo a brigada de bombeiros de Londres.

“Foi um assassinato em massa”

Edward Daffarn, um homem de 55 anos que morava no 16º andar, disse que o alarme de incêndio não disparou. “Tenho sorte de estar vivo. O alarme de fumaça de um vizinho disparou, e outro vizinho telefonou e me disse para sair”, relatou. Daffarn acrescentou que os residentes se queixavam há anos no conselho da cidade de Londres sobre a segurança do edifício, mas sem sucesso. “Considero isso um assassinato em massa.”

O prédio Grenfell Tower foi recentemente reformado a um custo de 8,6 milhões de libras. Os trabalhos foram concluídos em maio de 2016. A organização comunitária Grenfell Action Group vinha alertando as autoridades sobre o risco de incêndio no edifício e as inadequadas rotas de emergência desde 2013.

O grupo levantou preocupações sobre testes e manutenções de equipamentos de combate a incêndios e o bloqueio do acesso de emergência. “Todos os avisos foram ignorados. Nós prevemos que uma catástrofe como essa era inevitável e apenas uma questão de tempo”, disse a organização por meio de um comunicado.

 

 

 

Fonte: DW

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